Enrosco nas linhas, o que fazer? 

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Enrosco nas linhas, o que fazer? 

Por falta de rotina, Check de linhas e atenção, podemos nos deparar com situações de enrosco nas linhas em nossos tirantes.

No PARAMOTOR temos a grande vantagem de decolarmos no plano e geralmente precisamos de mais pista para decolagem em relação ao Voo Livre e assim temos mais tempo para interpretar possíveis enroscos e também temos área de escape possibilitando retornar imediatamente ao solo caso necessitemos…

Para evitar este tipo de problema:

🔴 SEMPRE MANUSEIE SEU TIRANTE SEGURANDO PELOS PONTOS DE ANCORAGEM

🔴 ANTES DE CONECTAR CHEQUE AS LINHAS ATENTAMENTE LEVANTANDO BEM AS LINHAS “A” E CERTIFICANDO QUE ESTÃO LIVRES

🔴 TENHA UMA ROTINA BEM ESTABELECIDA DE CONEXÃO

🔴 ANTES DE DECOLAR, JÁ CONECTADO, CHEQUE SE OS FREIOS ESTÃO LIBERADOS PUXANDO-OS ALGUMAS VEZES

🔵 SE O PILOTO TEM O PADRÃO DE CONEXÃO TREINADO SEU CÉREBRO O AVISARÁ NO CASO QUE QUALQUER COISA ESTEJA FORA DA ROTINA E O PILOTO SENTIRÁ QUE ALGO ESTÁ ERRADO (Aquele momento em que o piloto olha para o tirante e parece não estar entendendo nada)… NESTE MOMENTO REDOBRE A ATENÇÃO OU REFAÇA AS CONEXÕES DO INÍCIO.

Se ainda assim conseguimos decolar com enrosco nas linhas, e pode acreditar que acontece frequentemente, devemos:

🔴 MANTER A CALMA PRA ADMINISTRAR A SITUAÇÃO COM COMANDOS SUAVES, COM INTENSIDADE E TEMPO DE ACORDO COM A NECESSIDADE… OU POUSE IMEDIATAMENTE.

💥 Qualquer linha enroscada causa deformação no perfil aerodinâmico que prejudicará sua performance  de acordo com sua intensidade… Desde um simples graveto até um enrosco mais grave envolvendo múltiplos tirantes… Geralmente o enrosco está em um dos lados da asa e sempre tenderá curvas para aquele lado 💥

Espero que este post possa te ajudar…

Bons e seguros voos!

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Ventaca… O que fazer quando voamos e nos deparamos com vento forte!

Vou tentar resumir a questão de entradas de ventos fortes:

Em primeiro lugar os ventos não chegam de sopetão e sim vão nos dando sinais de sua chegada com até hora de antecedência. E os ventos mais preocupantes são os de entrada de frente fria que em nossa região, Litoral Paulista, se dá pelo quadrante Oeste sendo o vento de Sudoeste o mais traiçoeiro. Se estamos em casa, no trabalho ou em locais abrigados, distraídos com nossos afazeres, é claro que ao entrar um ventão diremos que foi de repente, do nada, pois não estávamos observando a evolução do clima em local apropriado. Já quando estamos em vôo, estamos atentos às variações climáticas pois dependemos disso…. Alguns pilotos mais atentos outros menos mas ainda assim estamos em um ambiente favorável à observação do clima. É mais ou menos como atravessar uma estrada e ser atropelado por um caminhão e dizer que o caminhão chegou de repente… Esse de repente varia de onde vc observou e decidiu atravessar a estrada…

Na prática temos que estar sempre atentos a previsão do tempo, que, apesar de parecer não tão confiável nos antecipa com importantes informações sobre entradas de frente fria. No campo e em voo temos que monitorar direção e intensidade do vento a todo momento e observar o quadrante de entrada de frente fria pra ver se não há a presença de nuvens suspeitas. Em nossa região, observamos o quadrante Oeste e percebemos se não tem nuvens de base baixa e carregadas, geralmente o vento vai parar e mudar a direção, começar fraco e ir acelerando mais rápido que o normal… Observamos também o mar a kms de distância pois o vento tem sua velocidade de deslocamento no solo.

O que fazer quando inadvertidamente estamos em vôo e pegamos um vento forte? Eu particularmente uso a seguinte lógica: Minha asa voa a cerca de 30 a 40km/h em relação ao ar, ou seja dentro da massa. Então, se eu voar a favor do vento, ou seja, de “cauda”, eu sempre estarei voando em relação ao solo na velocidade de deslocamento da massa + velocidade da minha asa, ou seja, eu voo mais rápido que a massa e com isso conseguirei sair dela, ganhar um fôlego pra pousar em segurança e me desconectar rapidamente.

Já tive várias experiências neste sentido e graças a Deus, usando essa tática eu sempre me safei ileso. A primeira vez que isso ocorreu foi na expedição Rastreando o Atlântico em 2009 onde não conseguíamos avançar e estávamos em local inóspito demais, atravessando o Parque Nacional da Jureia. Nossos combustíveis estavam pouco e não avançavamos de frente então resolvi voltar e chegamos no pouso, a uns 20km do local onde decidimos retornar, muito antes do vento.

Outra vez, voando de duplo aqui em Itanhaém, eu fui observando a entrada de frente fria e quando cheguei na reserva minha asa parou de voar em relação ao solo, o mar estava muito “encarneirado” então retornei de cauda até a base da Escola, cheguei antes do ventão, pousei com segurança, avisei o pessoal que iria chegar uma ventaca e 05 minutos depois era barraca voando pra todo lado…

Também passei por situações semelhantes em outras expedições como Mongólia, Rota do Descobrimento e etc… Em todas as vezes usei essa tática e pude notar que sempre chegava antes do vento dando tempo da desconexão segura.

Concluindo:

  1.  Veja sempre a previsão do tempo e atenção no quadrante de entrada de frente fria.
  2. Observe alterações no vento a kms de distância e use referências como o mar por exemplo, e fique mais atento quando o vento parar e virar no local que vc estiver.
  3. Se está voando contra vento e pegar ventão, e seu pouso imediato está comprometido seja por velocidade ou falta de espaço, vire a favor e procure se afastar o máximo possível.
  4. Ao pousar, caso o vento local esteja forte utilize os tirantes “C” pra matar a vela e desconecte imediatamente o velame. Evite usar comandos excessivos pois se usar errado os freios o piloto poderá ser arrastado.

Desejo ótimos voos seguros a todos!